ECONOMIA CAPIXABA

Estado concentra 70% da área cultivada de café conilon do país

O Espírito Santo é o líder da produção nacional de café conilon, com quase 70% de toda a área cultivada.

Em 20/07/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Abraão Carlos Verdin Filho/Incaper-ES/Divulgação

Com 286,7 mil hectares, o Espírito Santo concentra 69,1% de toda a área cultivada de café conilon no Brasil, e responde por 65,4% da produção nacional.

Poucos produtos conseguem conectar tantos setores da economia quanto o café. No Espírito Santo, essa força se traduz em liderança nacional na produção de café conilon. O estado concentra 69,1% de toda a área cultivada da variedade no Brasil, 286,7 mil hectares, e responde por 65,4% da produção nacional. O protagonismo, porém, não se limita ao campo: a atividade impulsiona empregos, movimenta o comércio e turismo e gera renda em praticamente todo o território capixaba.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base em seu relatório “Especial Café – Retrato da economia”, com dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Organização Internacional do Café, Comex Stat, Embrapa e Ministério do Trabalho e Emprego.

Café arábica

Segundo o levantamento, o Espírito Santo possui a segunda maior área cultivada de café do Brasil, com 424,8 mil hectares, sendo 286,7 mil destinados ao conilon e 138,1 mil ao arábica. Além de liderar a produção nacional do conilon, o estado também ocupa a terceira posição na produção de café arábica, com forte presença nas regiões de montanha, o que mostra a diversidade e a competitividade da cafeicultura capixaba. Isso também colocou o estado como o segundo maior produtor de café do país.

De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o café é uma atividade que ultrapassa a produção agrícola e movimenta uma cadeia econômica ampla.

“O café é uma atividade que ultrapassa a produção agrícola e movimenta uma cadeia econômica extremamente ampla. O estudo mostra que seu impacto alcança a indústria, logística, comércio, turismo e serviços, gerando renda, empregos e oportunidades em praticamente todo o estado. Compreender essa dimensão é fundamental para identificar caminhos que ampliem a agregação de valor e potencializem ainda mais a economia do Espírito Santo,"

A força da cafeicultura também se espalha pelo interior do estado. Atualmente, cerca de 131 mil famílias estão envolvidas na cadeia produtiva do café, distribuídas por todos os municípios capixabas, com exceção de Vitória. São aproximadamente 60 mil propriedades produtoras, o que representa dois terços das propriedades agrícolas do Espírito Santo. Além da relevância econômica, a cafeicultura possui forte dimensão social. Cerca de 73% dos produtores pertencem à agricultura familiar, o que amplia o impacto da atividade sobre a geração de renda e a permanência das famílias no meio rural.

Empregos

Outro destaque do relatório é a geração de empregos. Apenas nos meses de abril e maio de 2025, período de intensificação da colheita, o cultivo de café foi responsável pela criação de 8.065 postos formais de trabalho no Espírito Santo, resultado 29,4% superior ao registrado no mesmo período de 2024 e o maior da série histórica iniciada em 2020.

O estudo mostra ainda que o impacto econômico da cafeicultura vai muito além das propriedades rurais. O café movimenta atividades como beneficiamento, armazenagem, transporte, industrialização, exportação, cafeterias, turismo rural e experiências ligadas ao consumo, tornando-se um importante vetor de desenvolvimento regional.

Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES, Marcus Magalhães, a força do setor está justamente na integração entre diferentes segmentos econômicos.

“A cadeia de valor do café é uma das mais completas e integradas da economia, porque conecta o campo, a indústria, o comércio e os serviços. A cada etapa, o produto recebe novos processos e agrega valor, desde o beneficiamento e a logística até chegar às cafeterias e ao consumidor final. Essa dinâmica faz do café um verdadeiro multiplicador econômico, capaz de gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento em diferentes setores.”

No mercado internacional, o protagonismo brasileiro também chama a atenção. Em 2025, o café respondeu por US$ 15,6 bilhões em exportações, ocupando a quinta posição entre os principais produtos da pauta exportadora nacional e representando cerca de 4,5% das exportações brasileiras. (Por Kelly Kalle/AsImp)

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