CIDADE

Período de chuvas intensas evidencia o despreparo das cidades

Entre 2020 e 2023, 83% dos municípios brasileiros registraram desastres causados por chuvas extremas.

Em 24/01/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Divulgação/Instituto Ideias

As projeções para 2026 indicam chuvas cada vez mais irregulares no Brasil, um cenário que já deve ser tratado como parte de uma nova normalidade climática.

 

As chuvas intensas que atingem o Espírito Santo nos últimos dias voltaram a expor a vulnerabilidade das cidades diante dos impactos climáticos. Alagamentos, vias interditadas, riscos de deslizamentos e prejuízos para milhares de famílias reforçam que o problema vai além do volume de chuva: ele está diretamente ligado ao despreparo histórico da infraestrutura urbana e à ausência de planejamento territorial.

Esse cenário deixou de ser pontual e passou a representar um desafio estrutural e permanente para cidades de todo o país. Entre 2020 e 2023, 83% dos municípios brasileiros registraram desastres causados por chuvas extremas, um aumento significativo em relação aos anos anteriores.

A situação se agravou em 2024 e 2025, quando as chuvas intensas resultaram em centenas de mortes e deixaram quase 1 milhão de pessoas desabrigadas ou desalojadas em diferentes regiões do país.

Populações vulneráveis

O período de chuvas fortes afeta com mais intensidade as populações vulneráveis e pressionam sistemas urbanos que, em muitos casos, não foram pensados para enfrentar volumes extremos de água.

Segundo Luana Romero, diretora executiva do Instituto Ideias, parte significativa dos danos está relacionada à urbanização rápida e desordenada, à insuficiência dos sistemas de drenagem, ao excesso de áreas impermeabilizadas e à ausência de políticas integradas de uso e ocupação do solo.

“Hoje, mais de 1.600 municípios brasileiros são classificados como de alto risco para impactos relacionados às chuvas, podendo sofrer com alagamentos, inundações e deslizamentos. O alerta vale tanto para pequenas cidades quanto para grandes capitais.” 

Luana reforça que o enfrentamento desse cenário exige mudança de visão: “a pergunta central não é se vai chover mais, porque isso já é uma realidade. A questão é como estamos preparando nossas cidades para lidar com esse novo padrão climático, protegendo vidas, territórios e serviços essenciais?”.

Segundo a diretora do Ideias, investir em infraestrutura é fundamental, mas não suficiente se não vier acompanhado de planejamento e diálogo com os territórios.

“Soluções como infraestrutura verde, áreas permeáveis, modernização dos sistemas de drenagem e mapeamento de áreas de risco precisam caminhar junto com planejamento territorial e escuta das comunidades. Sem isso, seguimos reagindo a tragédias, quando deveríamos estar prevenindo”. (Por Camilla Gumieiro/AsImp)

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