DIREITOS HUMANOS
PMV registra 600 dias sem feminicídio e realiza série de ações
A capital capixaba alcança uma marca histórica de 600 dias sem o registro de feminicídio.
Em 28/01/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia
Foto: krakenimages.com no Freepik
Para reafirmar o compromisso com a proteção das mulheres, uma série de ações será realizada nesta quinta-feira (29).
A capital capixaba alcança uma marca histórica e motivo de muito orgulho para toda a cidade: 600 dias sem o registro de feminicídio. O dado, que simboliza vidas preservadas, reflete um trabalho contínuo, integrado e humano desenvolvido pela Prefeitura de Vitória, em parceria com o Judiciário, forças de segurança, entidades da sociedade civil e a população. Para reafirmar o compromisso com a proteção das mulheres, uma série de ações será realizada nesta quinta-feira (29).
As atividades começam logo pela manhã, a partir das 7h30, com a ação "Maria da Penha vai à Feira", na feira livre da Praia do Canto. A iniciativa levará orientação, informação e acolhimento à população, além da distribuição de mudas, reforçando a ideia de que o cuidado com a vida deve ser cultivado todos os dias.
Já por volta das 11h30, em frente ao Shopping Vitória, serão distribuídas sementes de pau-ferro, espécie arbórea típica da Mata Atlântica, simbolizando cada dia sem feminicídio e a esperança de um futuro mais seguro para as mulheres da capital.
Políticas públicas eficientes
Para o secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, o marco representa um esforço coletivo que precisa ser celebrado, mas também renovado diariamente.
"Chegar a 600 dias sem feminicídio é resultado de um trabalho sério, integrado e, acima de tudo, comprometido com a vida. Mas não podemos baixar a guarda. Cada ação, cada parceria e cada política pública existe para garantir que as mulheres de Vitória sigam vivas, protegidas e com seus direitos respeitados", apontou.
Rede de proteção e acolhimento
O resultado expressivo é fruto de um conjunto de ações permanentes que envolvem prevenção, tecnologia, acolhimento e resposta rápida. Na Capital, a Prefeitura de Vitória disponibiliza diversos serviços às mulheres que sofrem violência de seus parceiros, maridos, namorados e até de antigos relacionamentos.
Elas podem conversar com assistentes sociais e psicólogas no Centro de Referência em Atendimento à Mulher Vítima de Violência (Cramsv), buscar também orientação e atendimento médico na Casa Rosa, ser abrigadas em uma casa sigilosa, pedir medidas protetivas e contar com a disponibilização do Botão Maria da Penha, consolidado como uma das principais ferramentas de proteção às mulheres com medidas protetivas. O dispositivo é carregado de forma discreta pela vítima e, ao ser acionado, envia alerta imediato à Central de Monitoramento da Guarda de Vitória.
A coordenadora do Centro de Referência e Atendimento à Mulheres em Situação de Violência (Cramsv), Fernanda Vieira, reforça a importância do acolhimento e da escuta qualificada.
"Por trás desse número existem histórias que foram interrompidas a tempo. Nosso trabalho é estar de portas abertas, acolher, orientar e caminhar junto com cada mulher que procura ajuda. A prevenção começa com informação e com uma rede que funcione de verdade", enfatiza.
Já a subsecretária da Mulher, Deborah Alves, destaca que o município segue investindo em políticas públicas estruturantes.
"Vitória tem mostrado que é possível enfrentar a violência contra a mulher com planejamento, sensibilidade e união. As ações educativas, o fortalecimento da rede e o envolvimento da sociedade são fundamentais para que essa marca não seja apenas comemorada, mas mantida", complementa.
História
Bia, 50 anos, moradora da capital e que teve o nome alterado para não ser identificada, é uma das mulheres atendidas pelo Cramsv. Há quase um ano e meio e ela conta com suporte psicólogo ofertado pela Prefeitura de Vitória para conseguir se reerguer da situação que viva em casa com o ex-companheiro.
"Eu vivi mais de 20 anos num relacionamento abusivo, em que era diminuída o tempo inteiro e ouvindo do meu ex-marido que eu não era ninguém, que não era nada, por mais que eu tivesse uma profissão. A situação piorou quando descobri que era traída. Sofria assédio psicológico e patrimonial constantemente. Aqui no Cramsv consegui levantar minha autoestima, porque eu já não tinha mais por tanta coisa que estava sofrendo. Tive orientações necessárias sobre como proceder para conseguir sair desta situação. Tinha dias que chegava para a consulta e só conseguia chorar, tanto a depressão que era profunda. Hoje, continuo o tratamento e estou melhor. Hoje sei quem sou", relata Bia, ressaltando que a medida protetiva foi essencial para conseguir seguir em frente.
Números
O Cramsv, ligado à Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid), atendeu, de 2022 até 2025, 10. 723 mulheres (foram 34.534, de 2006 a 2025) vítimas de violência doméstica. Atualmente, 33 botões Maria da Penha estão ativos, e, de 2022 até 2025, foram realizados 47 acionamentos do dispositivo. (Secom/PMV)
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