ECONOMIA CAPIXABA
Taxa de inadimplência recua e 4,5 mil capixabas saem do vermelho
4,5 mil capixabas saem do vermelho em março e taxa de inadimplência cai pela 4ª vez consecutiva.
Em 08/05/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia
Foto: Envato/Divulgação/(By Connect Fecomércio-ES)
O indicador, que mede o percentual de pessoas com contas em atraso, chegou a afetar 33,5% da população. Além disso, o endividamento da população do Espírito Santo, em que o cidadão tem dívidas a serem quitadas, caiu para 87,8%.
Enquanto milhares de famílias organizam o orçamento para fechar as contas do mês, o Espírito Santo registrou em março um sinal positivo nas finanças domésticas: cerca de 4,5 mil capixabas saíram do vermelho, e a taxa de inadimplência recuou pela quarta vez consecutiva. O indicador, que mede o percentual de pessoas com dívidas pagas em atraso, caiu para 33,5% (redução de 0,1 ponto percentual). Já o endividamento – quando o consumidor possui contas parceladas ou compromissos financeiros a vencer, pagos em dia ou não – também diminuiu e chegou a 87,8%.
As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o movimento tende a refletir no consumo nos próximos meses.
“Quando a inadimplência recua, parte das famílias recupera capacidade de compra e volta a planejar gastos com mais segurança. Isso favorece especialmente períodos sazonais do comércio, como datas comemorativas.”
O saldo positivo de março ocorreu porque aproximadamente 8,8 mil capixabas com renda superior a 10 salários mínimos (R$ 16.210) regularizaram dívidas, enquanto cerca de 4,3 mil pessoas com renda de até 10 salários mínimos ingressaram na inadimplência. Apesar da melhora recente, o peso das contas atrasadas ainda pressiona as famílias. Segundo dados da Serasa Experian citados no levantamento, o valor médio da dívida por pessoa ficou em R$ 1.494,93.
Entre os inadimplentes, aumentou a parcela dos que acreditam conseguir quitar tudo já no próximo mês. Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, esse percentual subiu para 15,4%. Entre aquelas com renda acima desse patamar, avançou para 37,5%.
Queda
O levantamento também mostrou queda no endividamento geral das famílias capixabas. Em março, o índice caiu de 89,3% para 87,8%, ficando abaixo dos 89,4% registrados no mesmo mês de 2025. Na prática, isso significa menos famílias com compras parceladas, financiamentos, carnês ou outras obrigações financeiras em aberto.
Para Spalenza, o recuo tende a aliviar o orçamento doméstico e abrir espaço para consumo não essencial.
“O endividamento menor reduz a rigidez financeira das famílias. Quando sobra mais renda no fim do mês, cresce a possibilidade de consumo, poupança e reorganização das despesas.”
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice caiu para 89,3%. Já entre as de renda superior, recuou para 77,5%.
Endividamento
Mesmo com diferentes modalidades disponíveis, o cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento no estado. Em março, ele estava presente em 92,6% das famílias com renda de até 10 salários mínimos que possuíam dívidas. Entre as famílias de maior renda, o percentual chegou a 98,1%.
Nas famílias que recebem menos de R$ 16.210, também cresceu o uso do crédito pessoal (15,7%), dos carnês (8,3%) e do crédito consignado (8,1%). O avanço simultâneo dessas modalidades indica maior busca por recursos imediatos para cobrir despesas correntes.
Já entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o comportamento do endividamento foi mais diversificado. O financiamento habitacional permaneceu como a segunda principal modalidade de crédito, mesmo com leve recuo de 18,5% para 18,1%. Em sentido oposto, o crédito pessoal registrou o maior avanço no período, subindo de 10,2% para 12,3%. O uso do cheque especial também cresceu, passando de 1,9% para 3,2%, enquanto o financiamento de veículos ficou praticamente estável, variando de 9,6% para 9,7%.
Comprometimento
Enquanto as famílias renda menor que R$ 16.210 sentiram aumento da pressão financeira, com comprometimento médio de 30,9% da renda mensal, nas famílias de maior renda o comprometimento médio caiu para 25%, e diminuiu também a parcela que compromete mais da metade da renda com dívidas.
Para Spalenza, o cenário exige atenção contínua e o desafio é transformar essa melhora conjuntural em recuperação sustentável da saúde financeira.
“O estado mostra evolução consistente, mas ainda convive com níveis elevados de endividamento. O desafio agora é transformar essa melhora conjuntural em recuperação sustentável da saúde financeira das famílias”. (Por Kelly Kalle/AsImp/C2 Press)
Pesquisa:
A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no LINK
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