EDUCAÇÃO

Viana resgata raizes açorianas com curso gratuito de culinária

Viana resgata raízes açorianas com curso gratuito de culinária em uma parceria com o Ifes

Em 10/04/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Divulgação/Prefeitura de Viana

Com previsão de início para abril (veja datas abaixo), o curso de cozinha açoriana oferece 25 vagas gratuitas cada para uma única turma inicial.

As mãos que moldaram a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e trouxeram a tradição da Festa do Divino para o solo capixaba agora encontram um novo ponto de encontro: a cozinha. A Prefeitura de Viana anuncia a abertura do curso gratuito de culinária tradicional, realizado em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES).

Com previsão de início para abril (veja datas abaixo), o curso de cozinha açoriana oferece 25 vagas gratuitas cada para uma única turma inicial. Durante 24 horas de formação, os alunos farão uma imersão nas tradições que ajudaram a formar a identidade cultural de Viana, aprendendo técnicas e receitas que atravessaram gerações.

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Para o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, a iniciativa reforça o compromisso da gestão com a identidade do vianense.

“Nossa cidade possui uma herança cultural riquíssima que merece ser celebrada em todas as suas formas. Ao oferecermos este curso, estamos proporcionando não apenas qualificação profissional, mas também uma oportunidade para que o nosso povo se reconecte com as suas origens através do paladar”, afirma o prefeito.

Contexto Histórico

A colonização de Viana começou em 1813, com a chegada de imigrantes açorianos, cujo legado permanece presente na arquitetura, nas tradições religiosas e na cultura alimentar. Ao mesmo tempo, as comunidades quilombolas contribuíram de forma decisiva para a formação cultural do território, preservando saberes culinários de matriz africana que resistem até os dias atuais e constituem parte essencial da identidade local.

Aqui estão alguns dos pratos mais emblemáticos da cozinha açoriana e que serão ensinados no curso:

Cozidos de carne e legumes

Antes do “Cozido das Furnas” virar símbolo turístico, já se faziam cozidos simples com carne de vaca, porco, inhame, couves e batata, cozinhados lentamente em casa ou em fornos comunitários.

Alcatra (Ilha Terceira)

Já era um prato central no século XIX, sobretudo em festas religiosas. Preparada em alguidar (recipiente) de barro, com carne, vinho, alho, cebola e especiarias.

Caldo de peixe

Muito comum entre comunidades de pescadores. Feito com peixe fresco, cebola, gordura animal e pão duro — prato humilde e diário.

Sopas de pão (ou sopas do Espírito Santo)

Extremamente importantes no século XIX, ligadas às festas do Espírito Santo. Pão embebido em caldo de carne, com hortelã e, às vezes, carne.

Milho cozido e papas de milho

O milho era base alimentar. As papas e caldos de milho eram consumidos regularmente, especialmente pelas classes mais pobres.

Carne de porco salgada ou fumada

O porco era criado para sustento anual. A carne era conservada em sal e usada em vários pratos ao longo do ano.

Peixe salgado ou seco

Método essencial de conservação no século XIX. Muito usado em caldos e guisados simples.

Bolos simples de forno (massa sovada primitiva)

Versões mais rústicas da massa sovada já existiam, feitas em ocasiões festivas, com poucos ovos e açúcar quando disponíveis. (Secom/PMViana)

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