ECONOMIA CAPIXABA

Mais de 76 mil capixabas saem da inadimplência em janeiro

Em janeiro, a taxa ficou em 33,9%, um recuo de 1,8% em relação a dezembro de 2025 (35,7%).

Em 21/02/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: Designed by FREEPIK

O índice de famílias capixabas que estão na condição de negativados​ caiu para 33,9% no Espírito Santo, o que representa um recuo de 1,8% em relação a dezembro de 2025.

A inadimplência no Espírito Santo começou 2026 em queda e retirou 76,9 mil capixabas da condição de negativados. Em janeiro, a taxa ficou em 33,9%, um recuo de 1,8% em relação ao mês anterior (35,7%). Os dados são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A queda foi puxada principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 16.210), cuja inadimplência passou de 40,1% para 38%. A estimativa é que cerca de 73,9 mil capixabas desse grupo tenham deixado a inadimplência em janeiro. Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a taxa recuou de 11% para 10,5%, mantendo-se abaixo da média nacional dessa faixa (14,8%).

Índice estadual

O índice estadual permanece próximo ao registrado em janeiro de 2025 (33,5%) e à média do ano passado (33,8%).

O cenário, segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, exige atenção.

“O resultado é positivo, mas não significa que o problema esteja superado. A redução da inadimplência representa um alívio para milhares de famílias, especialmente as de menor renda. No entanto, seguimos em um patamar elevado e acima da média brasileira, o que mostra que o ambiente de crédito continua pressionado. A inadimplência faz parte do padrão de consumo brasileiro, mas níveis muito elevados reduzem a margem de manobra das famílias e limitam a capacidade de enfrentar imprevistos.”

Segundo dados do Serasa Experian analisados no relatório, o tíquete médio da dívida no Espírito Santo é de R$ 1.499,10 em janeiro. Além disso, o número médio de dívidas por capixaba inadimplente se aproximou de quatro no mês. 

Capacidade de pagamento

Houve ainda melhora na capacidade de pagamento das famílias com renda de até 10 salários. O percentual de famílias que afirmam ser capazes de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês aumentou 1,7 ponto percentual, saindo de 13,3% em dezembro para 15,0% em janeiro. Esse aumento ocorreu pela redução daquelas famílias que afirmavam ser capazes de pagar só uma parte da dívida.

Outro ponto positivo observado em janeiro foi o aumento da participação das dívidas em atraso há até 30 dias entre ambos os grupos familiares. Entre as famílias de menor renda, a proporção avançou 0,8 ponto percentual, alcançando 15,7%. Já entre as famílias de maior renda, o aumento foi mais expressivo, de 6 pontos percentuais, elevando o índice para 33,3%.

“O aumento das dívidas com atraso de até 30 dias é positivo porque mostra que mais famílias estão conseguindo regularizar suas contas rapidamente, antes de entrar em inadimplência plena. Isso reduz a cobrança de juros e multas, evita que as dívidas cresçam demais e diminui os efeitos sociais da inadimplência, como queda no consumo e maior dificuldade de acesso ao crédito.”

Cartão de crédito

O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento das famílias capixabas: 99,4% das famílias de maior renda (acima de 10 salários mínimos) e 91,6% das de menor renda (até 10 salários) declararam utilizar essa forma de crédito.

Entre as famílias de menor renda, também se destacam carnês e crédito pessoal, geralmente associados a consumo imediato e juros mais elevados. Já entre as famílias de maior renda, predominam financiamentos imobiliários e de veículos, que distribuem o pagamento ao longo do tempo e estão ligados à aquisição de bens duráveis. Em geral, 89,5% das famílias capixabas possuem algum tipo de dívida a ser paga. (Por Kelly Kalle/AsImp/C2 Press)

Pesquisa:
A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no LINK

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