TEMAS GERAIS

Saiba quais são as tendências que irão moldar o RH em 2026

Relatório destaca desafios, como baixa retenção de talentos e falta de fluência digital nas empresas.

Em 19/01/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: FREEPIK

O dado mais crítico do estudo inédito é a retenção de talentos, que surge com apenas 7,2%, percentual considerado baixo diante da relevância que a aprendizagem costuma ter para o desenvolvimento e permanência dos profissionais.

A Qulture.Rocks, empresa referência em gestão de desempenho no Brasil e integrante do ecossistema UOL EdTech, lança o “Report Tendências em Educação, Desenvolvimento e Performance”, estudo inédito que analisa, sob a perspectiva brasileira, as forças que estão redesenhando o trabalho, a aprendizagem e a performance nas organizações.

O levantamento reuniu 1.160 profissionais de 11 segmentos econômicos, distribuídos por diferentes regiões do país e contempla desde grandes companhias até organizações de médio porte, reunindo diversidade de perfis, formações, tamanhos de empresa e maturidades profissionais. Do total, 57% dos participantes ocupam posições de liderança, da gerência ao C-level, enquanto 43% atuam como contribuidores individuais, o que proporcionou uma leitura mais ampla e equilibrada sobre as percepções relacionadas ao futuro do trabalho no Brasil.

Abordagem

A pesquisa teve início no segundo semestre de 2025 e utilizou uma abordagem que combinou perguntas objetivas e investigativas com análises aprofundadas sobre tendências globais. O estudo nasceu de duas inquietações centrais: compreender quais tendências devem ganhar ainda mais força a partir de 2026 e identificar como esses movimentos globais assumem nuances próprias dentro do contexto brasileiro. A partir desse processo, foram consolidados sete macro pilares que já moldam a forma como pessoas e empresas aprendem, trabalham e performam no país: Cultura de Aprendizagem, Inteligência Integrada, Liderança Pivotante, Prontidão Proativa, Guildas do Saber, Dados de Aprendizagem e Saúde Sistêmica.

No eixo de Cultura de Aprendizagem, o relatório indica que, nas empresas brasileiras, o aprendizado segue fortemente associado à performance imediata, e não à evolução de carreira ou sucessão. O aprimoramento de competências aparece como principal impacto percebido, citado por 20,8% dos respondentes. Em seguida vêm aumento de produtividade (15,3%), formação de lideranças (14,4%), melhoria da inovação (14%) e engajamento e satisfação das equipes (13,9%). Os percentuais próximos reforçam o caráter tático dado ao tema.

Dado crítico

O dado mais crítico é a retenção de talentos, que surge com apenas 7,2%, percentual considerado baixo diante da relevância que a aprendizagem costuma ter para o desenvolvimento e permanência dos profissionais.

Para Rodrigo de Godoy, consultor em EdTech e Inovação, os resultados revelam uma visão limitada sobre o papel estratégico da aprendizagem.

“Parte das organizações continua entendendo cultura de aprendizado como algo que acontece em momentos específicos, como cursos ou jornadas formais. Na prática, a aprendizagem que realmente sustenta performance e evolução acontece no fluxo do trabalho, na experimentação, na colaboração. Criar uma cultura de aprendizagem é transformar o aprender em hábito, e isso depende diretamente da liderança.”

O estudo também reforça que a liderança, especialmente a estratégica, ocupa lugar central nesse processo. Entre os entrevistados, 88% dos executivos C-level afirmam que oferecer acesso à aprendizagem e ao desenvolvimento é fundamental para que a estratégia de negócios se concretize.

Maiti Junqueira, diretora de Solução de Desenvolvimento e Educação da Qulture.Rocks, disse que, se a cultura organizacional não for tratada como pilar, ela não se espalha.

Se a cultura de aprendizado não for tratada como um pilar da cultura organizacional, com investimento, prioridade e presença na mesa onde as decisões são tomadas, ela não se espalha. Não permeia a empresa. Fica restrita a iniciativas isoladas, sem força para transformar performance e comportamento.”

Outro eixo essencial do Report é a adoção de Inteligência Artificial no ambiente de trabalho. 69,3% dos profissionais atuam em empresas que já utilizam IA em alguma frente. Apesar disso, 30,7% afirmam que suas organizações ainda não adotam a tecnologia, índice elevado diante da velocidade da transformação digital no país. Entre os profissionais que têm acesso às ferramentas corporativas de IA, 46,2% dizem utilizá-las com frequência, diariamente ou de forma regular. Por outro lado, 53,8% afirmam usar apenas ocasionalmente, raramente ou nunca, indicando desafios concretos de fluência digital nas empresas brasileiras.

Automação de tarefas

A percepção positiva sobre impacto e produtividade também aparece com força. Entre as organizações que utilizam agentes de IA, 72% reportam aumento de eficiência, e líderes afirmam economizar mais de uma hora por dia graças à automação de tarefas repetitivas e ao apoio da tecnologia na tomada de decisão. Para ampliar esses resultados, o estudo destaca a necessidade de avançar em três frentes: investir de maneira contínua em letramento digital, revisar processos de trabalho para integrar humanos e tecnologia e fortalecer uma cultura que estimule experimentação, criticidade e colaboração.

Rodrigo de Godoy reforça um alerta importante sobre a adoção acelerada da IA.

“O uso acrítico da tecnologia pode reduzir a capacidade analítica e empobrecer o processo de aprendizado. É o que chamamos de sedentarismo cognitivo. A adoção precisa vir acompanhada de criticidade para que a IA gere valor sem comprometer habilidades humanas essenciais.” (Giovanna Miranda/AsImp)

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