SAÚDE

Obesidade é doença complexa, não fracasso pessoal, diz médico

Em janeiro, pessoas em todo mundo estabelecem resoluções de Ano Novo para melhorar a saúde.

Em 23/01/2026 Referência CORREIO CAPIXABA - Redação Multimídia

Foto: FREEPIK/(By Sherlock Comms)

O cirurgião metabólico destaca a cirurgia como opção eficaz e duradoura para tratar a obesidade e reduzir riscos associados, como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares.

No mês de janeiro, pessoas em todo o mundo estabelecem resoluções de Ano Novo para melhorar a saúde. Para alguns adultos que vivem com obesidade, no entanto, mudanças no estilo de vida, por si só, podem não ser suficientes para tratar a doença. 

A Organização Mundial da Saúde informa que, em 2022, 1 em cada 8 pessoas no mundo vivia com obesidade. No Brasil, a taxa de obesidade entre adultos deve atingir cerca de 30% até 2030, segundo a Federação Mundial de Obesidade

Dr. Omar Ghanem, M.D., diretor médico da Mayo Clinic para o Oriente Médio, cirurgião metabólico e diretor do Departamento de Cirurgia Metabólica e Reconstrutiva da Parede Abdominal da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, afirma que as pessoas devem cuidar da saúde ao longo de todo o ano. Ainda assim, o início de um novo ano representa, para muitos, um momento significativo para reavaliar a própria saúde e conhecer todas as opções disponíveis de tratamento para a obesidade. 

“A obesidade é uma doença complexa, não um fracasso pessoal”, afirma o Dr. Ghanem. “Muitas pessoas tentam dietas, programas de exercícios e medicamentos, mas continuam enfrentando dificuldades porque a obesidade tem múltiplas causas — psicológicas, metabólicas, comportamentais e genéticas. Por ser uma doença complexa, exige um tratamento abrangente. A cirurgia metabólica ajuda a tratar a obesidade de maneiras que outros tratamentos não conseguem.”

Estigma da obesidade

Apesar de sua prevalência crescente, a obesidade ainda é frequentemente mal compreendida. Muitas pessoas que vivem com obesidade enfrentam estigmatização — incluindo a falsa suposição de que o peso corporal é apenas uma questão de força de vontade ou responsabilidade pessoal. Pesquisas demonstram que a obesidade é uma doença crônica influenciada por múltiplos fatores fora do controle individual, e que o estigma pode impedir as pessoas de buscar o tratamento adequado.  

Um estudo publicado na revista eClinicalMedicine, do The Lancet, aponta que o estigma relacionado ao peso leva as pessoas a evitarem serviços de saúde, a adiarem a procura por atendimento médico e a confiarem menos nos profissionais de saúde — fatores que podem comprometer o acesso a tratamentos apropriados e baseados em evidências. 

Cirurgia

De acordo com estudos, a cirurgia metabólica é uma terapia eficaz e duradoura para a obesidade grave. Em geral, esse tipo de cirurgia resulta em uma perda de cerca de 25% a 30% do peso corporal total, frequentemente mantida por muitos anos. A cirurgia metabólica favorece a perda de peso, e também pode melhorar condições associadas à obesidade, como diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial e colesterol elevado.

Segundo o Dr. Ghanem, para muitos pacientes, a cirurgia é o ponto de virada que permite recuperar a saúde.

“Alguns deixam de precisar de medicamentos para diabetes ou pressão arterial imediatamente após a cirurgia. O impacto pode ser transformador.”

Outros cuidados

Na Mayo Clinic, o Dr. Ghanem e seus colegas tratam regularmente pacientes com necessidades médicas complexas que precisam perder peso antes de poderem se submeter com segurança a outros procedimentos, como transplantes de coração ou rim, cirurgias de substituição articular ou reparo de hérnias.

“São casos altamente coordenados, que envolvem cardiologistas, endocrinologistas, anestesiologistas e especialistas em transplantes. O cuidado multidisciplinar permite que os pacientes tenham acesso a tratamentos que antes lhes haviam sido considerados inviáveis.”

A Mayo Clinic também é referência em cirurgias bariátricas corretivas para tratar complicações de procedimentos realizados em outros serviços, incluindo hérnias, úlceras, fístulas, desnutrição ou reganho de peso. 

Uma nova era

Segundo o Dr. Ghanem, o tratamento da obesidade continua evoluindo. Uma abordagem promissora é a integração de medicamentos antiobesidade com a cirurgia.

“A combinação de terapias medicamentosas e cirúrgicas tem um potencial enorme — de forma semelhante ao que ocorre no tratamento do câncer, em que medicamentos e cirurgia atuam de forma complementar.”

Pesquisas da Mayo Clinic demonstraram que a cirurgia bariátrica proporciona benefícios metabólicos de longo prazo, pode reduzir o risco de câncer e, em pacientes que atendam a critérios específicos, pode, inclusive, ser realizada simultaneamente a um transplante de fígado — melhorando a sobrevida a longo prazo. (Por Bárbara Zelante/AsImp)

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